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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Notícias do Campo












Dias de evangelização – Ucrânia, janeiro de 2011:
Abaixo segue meu diário dos dias de evangelização no sul da Ucrânia:
10/01 – Petrodolina: O primeiro dia foi de muita expectativa para mim, pois além de não falar, e entender russo, eu não conhecia 80% da equipe. Mas este dia se mostrou uma grata surpresa, tanto no evangelismo quanto no entrosamento com a equipe. As crianças da escola se mostraram super receptivas, pois foram feitas outras evangelizações antes e elas conhecem bem o Pr. Alexander e a miss. Eugênia. Pois é onde o Centro de treinamento está localizado.

11/01 – Iosipovka: esta é uma vila próxima à Petrodolina. Em toda região apenas 0,5% das pessoas frequentam as igrejas nos domingos, neste percentual estão inclusive católicos e ortodoxos. Por isso a importância destas evangelizações. Através delas a semente da Palavra é lançada nos corações dos pequeninos e suas famílias. No segundo dia me achei mais confiante e integrado ao grupo. Temos de dar graças a Deus pelas portas abertas nestas escolas.

12/01 – Marianovka: outra vila próxima e outra escola que se abriu para o evangelismo. Em todo o evangelismo as crianças e adolescentes se mostraram receptivos. Nestes dias percebi que a exemplo dos apóstolos em Atos 2. 47. Estes evangelismos foram ganhando a simpatia do povo ao longo dos anos anteriores. Pois o Pr. Alexander me contou que em outras ocasiões professores o chamaram para fazerem outras evangelizações. O Alexander disse que não tinha presentes. E então eles disseram “venham mesmo assim, nossas crianças precisam ouvir destas palavras”. Então aos poucos, de evangelismo em evangelismo a Palavra é semeada.

13/01 – Novagradovka: está é a vila onde a miss. Eugênia e seu irmão Nícola moram. Também onde temos uma pequena congregação luterana na casa da Eugênia. Muitas crianças vão sendo impactadas por este trabalho no decorrer da semana. Muitas crianças se mostraram abertas no decorrer do evangelismo por já conhecerem muitos da equipe e algumas frequentam os trabalhos na congregação. As norueguesas também ajudam neste trabalho. Elas estão na Ucrânia desde setembro em seu período prático da escola bíblica na Noruega.

14/01 – Dobroalexandrovka: esta vila tem uma triste história para nós luteranos. Pois a antiga igreja luterana que antes existia e foi confiscada pelo antigo regime soviético foi doada para a igreja ortodoxa. Isto gerou rixas entre luteranos e ortodoxos nesta vila. Inclusive o padre ortodoxo queria que a escola não acolhesse o evangelismo! Não estamos pregando religião, e sim do amor de Deus em Jesus. Mas graças ao nosso bom Deus, que está acima de rixas humanas e deseja que sua Palavra seja proclamada, os professores não cederam a pressão do padre e pudemos realizar o evangelismo. Inclusive os professores nos ofertaram um maravilhoso almoço. Infelizmente não pude tirar fotos da igreja que fica ao lado da escola. Talvez em outra oportunidade. Hoje também percebi nitidamente que uma das norueguesas não gosta de mim. Talvez pelo meu “jeito brasileiro”, isso me deixou bem triste.

15/01 – Petrodolina: pausa onde pudemos descansar um pouco, pois as próximas evangelizações serão longe e não poderemos dormir no Centro de Treinamento em Petrodolina. O que gostei nestes dias, além da oportunidade do evangelismo em si, foi do método que o Pr. Alexander usa. Ele não é um homem de muitas palavras, mas sabe trabalhar em equipe. Todas as noites ele reúne a equipe e pede para falarmos de como sentimos o dia, das coisas boas e ruins. Assim todos têm a oportunidade de falar. Com duas das norueguesas vai indo muito bem, crescemos muito em amizade, mas continuo tendo alguns problemas com a terceira. Tentei conversar ontem à noite, mas ela se trancou no quarto e não quis jantar. O Pr. Alexander me disse que ela é assim mesmo. Então vou mantendo a distância e tentar ir me aproximando devagar, tentando perceber o problema para não quebrar a harmonia do grupo.
16/01 – Kudriavka e Petrovka: viajamos umas 3 horas rumo nordeste de Petrodolina, passamos por Petrovka, mas nossa parada final foi a pequena vila de Kudriavka onde tem uma casa de apoio da igreja. Era uma congregação, mas devido as dificuldade de distância e estrada de chão o pastor responsável a deixou de lado. Isso fez com que em 6 meses a pequena congregação esfriasse. Estamos indo para retomar o trabalho e animá-los. Dormimos na casa onde era a congregação e tivemos apenas uma evangelização, pois deveríamos ir ainda para Petrovka no começo da tarde e evangelizarmos lá também. Hoje é domingo. As escolas nos abriram as portas no domingo! Isto mostra a boa vontade deles conosco. Claro que entre as professoras há luteranas que foram alcançadas por evangelizações anteriores ou são luteranas de berço. Agradecemos por todo o empenho delas. Inclusive em Petrovka as crianças da igreja luterana puderam também participar, se apresentando com danças e declamações de curtos poemas (algo bem comum aqui). Voltamos à Petrodolina por volta de 21:00 hrs.

17/01 – Kherson: acordamos às 05:00 para viajarmos o restante da semana pelo sul do país. As norueguesas ficaram em Petrodolina. Isto me deixou um pouco mais isolado por ainda não falar russo. Chegamos a Kherson no meio da manhã. Ficamos na casa da Natasha e do Alexei. Pudemos nos organizar e no começo da tarde fomos para a escola que fica a uns 200 metros da igreja. Foi a primeira vez que a equipe do Pr. Alexander fez evangelismo nesta escola. Inclusive quem fez as pregações evangelísticas foi a Natasha. Achei ótimo a iniciativa do Alexander, pois a Natasha e o Alexei são os responsáveis pela pequena igreja de Kherson. E isto não só honrou o trabalho deles como também faz com que eles sejam mais conhecidos.

18/01 – Smeevka: Novamente acordamos cedo e viajamos rumo leste de Kherson para a vila de Smeevka, onde mora a família da miss. Eugênia e seu irmão Nicola. Lá existe uma grande igreja luterana que foi tomada e destruída parcialmente pelo regime soviético. Neste período as ruínas eram depósito de lixo agrícola. Em 1994 a igreja foi devolvida a igreja luterana e reformada. Houve um renovo na igreja com a vinda de um pastor alemão pietista, onde a Eugênia e sua família ajudaram nos trabalhos da igreja e davam os seus primeiros passos numa vida de compromisso com Jesus. Mas depois deste pastor veio outro que não soube trabalhar em equipe e destruiu todo o trabalho de seu antecessor. Ele ficou a frente desta igreja por nove anos! E voltou para a Alemanha há dois anos. Hoje a igreja está sem pastor e é liderada por um grupo de senhoras. Estivemos na escola onde muitas crianças e jovens puderam ouvir a mensagem de Cristo. Mas elas estavam mais “distantes” do que em outros lugares. O Pr. Alexander me explicou que, por ser uma vila do interior, o coletivo é mais importante do que o indivíduo. E naquela vila ser evangélico era visto como algo ruim. Mesmo assim cremos que a semente do evangelho foi lançada. E esperamos sermos convidados para outros evangelismos.

19/01 – Sinferopol: dormimos na casa da família da miss. Eugênia e Nicola e de manhã cedo pegamos a estrada rumo ao sul em direção da República Autônoma da Criméia. “República” neste caso não se refere a outro país. Mas também não é uma província ou estado. A Criméia pertencia ao império russo, mas com o aparecimento da União Soviética, e depois da II Guerra Mundial, a Ucrânia recebeu o território da Criméia. Muito antes ela também pertenceu ao império Turco. Por isso a Criméia é uma região muito delicada no que se refere a povos, governos,... Pois possui posição privilegiada para portos e a esquadra naval soviética ali se estabeleceu. Hoje ela é alvo de conflitos étnicos, pois a maioria de sua população é russa, e não ucraniana e não aceita a Ucrânia como seu país. Além de lá estar 90% dos mulçumanos tártaros que vivem na Ucrânia. A saída foi criar uma “República Autônoma”, mas pertencente à Ucrânia. Viajamos até a capital Sinferopol, onde reside o único pastor para sete igrejas e congregações espalhadas ao longo da costa sul da Criméia. Nosso objetivo aqui não foi evangelizar nas escolas. O Pr. Yoerk nos convidou para o ajudarmos em sua igreja, pois muitos são luteranos nominais. Foi um grupo pequeno da igreja que compareceram, umas 40 pessoas (na maioria idosos, crianças e algumas mães). Acreditamos que cumprimos nossa missão, e Sinferopol foi nossa última cidade visitada para evangelização. Os homens dormiram no apartamento do Pr. Yoerk, as mulheres ficaram na casa de uma das líderes da igreja e a Natasha e o Alexei ficaram hospedados na casa do outro membro da igreja a meio caminho da vila turística de Bachtisaray, onde visitamos no outro dia pela manhã. Ao todo foram 10 locais de evangelização e mais de 1500 crianças, adolescentes, professores e pais que puderam ouvir as Boas Novas do evangelho.

20/01 – Bachtisaray: acordamos cedo e fomos para igreja pegar o material de evangelismo e depois nos encontrarmos com a Natasha e o Alexei a caminho de Bachtisaray. Ela é uma vila encravada num vale entre velhas montanhas vulcânicas. Já foi povoada por vários povos e hoje vivem os descendentes de tártaros e russos. Há muitas cavernas que eram casas nos tempos antigos e muitas cavernas se tornaram em casas encravadas na rocha. Ao redor da vila existem vinhedos e pequenos sítios com fruteiras, que agora estão “dormindo” esperando a primavera. Lá também existem muitas construções islâmicas e ortodoxas. Os mulçumanos dominaram a região até a chegada dos soviéticos, mas sempre houve um reduto ortodoxo. Hoje os ortodoxos estão mais estruturados. Pudemos visitar um antigo mosteiro ortodoxo no alto de uma das montanhas do vale e habitações escavadas na rocha. Ao meio dia descemos a montanha e viajamos rumo a Petrodolina, umas 10 horas de viajem por estradas “estilo Brasil”, se é que vocês me entendem. Agradeço ao nosso bondoso Deus por ter nos guardado.

CURIOSIDADES:
O Natal ortodoxo (calendário Juliano) é comemorado no dia 7 de janeiro, mas a igreja luterana mantém a comemoração em 25 de dezembro
As pessoas casadas usam a aliança na mão direita

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