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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Noticias do Campo




Olá meus queridos, as mais ricas bênçãos a vocês neste período de Natal!

Pois é o ano já está terminando. Já estamos no Natal e este mês passou voando! O tempo de Natal aqui na Ucrânia é um tanto estranho para mim, pois a Igreja Católica Ortodoxa comemora o Natal em 7 de janeiro. Mas a Igreja Luterana o celebra em 25 de dezembro. Isto acontece porque a Igreja Católica Ortodoxa segue o calendário Juliano. Mas na verdade a data mais importante aqui é o Ano Novo. Isto devido aos anos do regime soviético que durou 70 anos, onde não se comemorava o Natal. Hoje há um período de festas entre o Ano Novo e o Natal ortodoxo. A vantagem é que aqui o Natal ainda não é tão comercial como no Brasil, já que o “Papai Noel” e a troca de presentes são no Ano Novo.

Entre as novidades que tenho, a mais importante e que me dá maior alegria é que eu e a Kátya estamos noivos! Eu sei que muitos estarão surpresos com esta notícia. O que posso dizer é que estamos seguros destes passos e felizes. Há também toda a questão cultural, pois aqui as coisas são mais “rapidinhas” quando se diz que se está num “namoro sério”. Claro que contamos com as orações de vocês para o Guiar de Deus em nossas vidas e ministério.

Fazendo uma retrospectiva deste ano, percebo que avancei em muitas áreas e obtive algumas vitórias: a mais importante delas foi a Kátya e sua mãe estarem frequentando a igreja todos os domingos e de ver a Kátya firme na fé e ajudando a cuidar das crianças na Casa de Diaconia. E também ajudando nos acampamentos e seminários (foto ao lado). Entre os desafios o mais importante é avançar no russo, isto me deixa um pouco nervoso e frustrado por não conseguir me comunicar como gostaria. Peço uma oração especial para isso.

Segue abaixo a primeira carta da Kátya. Ela me pediu para também escrever a vocês e agradecer por este projeto:

Olá a todos do Brasil!

Eu sou Kátya Kuleshova, a noiva do André. Eu sou ucraniana e eu gostaria de, através desta carta, agradecer a todos vocês no Brasil por serem nos parceiros nesta missão na Ucrânia. Normalmente na Ucrânia não temos o costume de famílias darem suporte financeiro a missionários. Isto fica por conta da igreja. Ter vocês como parceiros deste projeto é para mim algo novo e um lindo presente. Pois para nós na Ucrânia ajudar pessoas de tão longe as quais não se conhece é muito estranho. Eu apenas gostaria de lhes escrever o quanto eu estou grata por vocês em nossas vidas. Pessoas que estão tão longe e que oram por nós e estão conosco em pensamentos, se alegrando com nossas vitórias e intercedendo por nossas vidas. “Spassiba baishoi” (Muito obrigada) por vocês fazerem parte desta missão conosco.

Eu também quero dizer-lhes que desejamos a vocês um feliz Natal e abençoado Ano Novo! Na Ucrânia temos muitas tradições. Uma delas é que no Natal pessoas visitam seus vizinhos e amigos em trajes típicos, com a estrela de Natal e cantam desejando bênçãos para as pessoas e o seu lar. Normalmente as pessoas da casa retribuem com algum alimento típico da época de Natal.
Acima você pode ver fotos desta tradição.

Nós desejamos a vocês um feliz Natal, na presença de Jesus e as mais ricas bênçãos em 2012!

Com carinho,
André e Kátya.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Noticias do Campo






“Ao ver as multidões teve compaixão delas, pois estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor”.
Mt 9. 36

Queridos amigos e irmãos, que o versículo acima nos dê ânimo e discernimento para vermos além dos horizontes humanos, seguindo o exemplo de Cristo. Dê uma olhada na foto ao lado. Ela é de uma casa que foi abandonada por seus moradores. Eles a abandonaram para tentar uma vida nova na cidade. De 20 casas nesta rua, 9 foram abandonadas! Provavelmente esta foto ficará marcada em minha memória por muitos anos. Pois mesmo na missão é fácil nos acomodarmos em nosso dia a dia e não mais vislumbrarmos os horizontes missionários de Deus. Mas Deus sempre nos chama a irmos ao encontro das “ovelhas desgarradas”.

Entre os dias 22 a 28 de outubro a Kátya e eu, mais duas voluntárias da Alemanha e um rapaz do grupo de jovens de Odessa, estivemos em Kudriávka, uma vila distante. Fomos enviados para trabalharmos com as crianças durante o dia e dar estudos bíblicos à noite para os adultos. O problema desta vila é que ela está morrendo! Morrendo pela apatia e desesperança das pessoas que lá vivem. O pr. Andrei da igreja de Odessa, me contou um pouco da situação: Esta vila, como muitas outras, foi construida com dinheiro alemão para dar moradia aos descendentes de alemães que foram exilados por Stálin (presidente da antiga União Soviética) no período da II Guerra Mundial. Estes descendentes de alemães foram enviados para a Sibéria, Kazaquistão ou Uzbequistão e tratados como inimigos nos tempos de guerra. Mas com a queda do regime soviético há vinte anos atrás, estas famílias começaram voltar a viver na Ucrânia. Mas suas antigas casas foram ocupadas por outras famílias, então o governo alemão propôs ao governo ucraniano construir “vilas alemães” para estes exilados. Há alguns anos atrás foi sedida à Igreja Luterana uma casa para que fossem realizados os cultos. Pois não há nenhuma igreja, nem mesmo a Católica Ortodoxa nesta vila.

Quando nosso grupo chegou recebemos a notícia que naquela semana dois jovens morreram num incêndio em uma das casas. Eles estavam tão alcolizados, que não conseguiram acordar com o calor das chamas. É comum naquela vila pessoas acordarem por volta das 11:00 horas damanhã depois do “porre”. Apesar do solo ser o mais fértil do mundo! Onde tudo que se planta cresce bem sem necessidade de adubo. Após o culto, pr. Andrei foi ao cemitério da vila para dar algumas palavras de conforto às famílias, mas ninguém apareceu(!?) Despois disto o pr. Andrei retornou para odessa e ficamos planejando como trabalharíamos durante aquela semana.

Na manhã de segunda-feira dia 24 de outubro começamos os trabalhos com algumas crianças que aceitaram nosso convite. Apesar de ter sido avisado na escola que esteriamos lá naquela semana de feriadão, tivemos que “caçar”as crianças. Uma situação estranha, pois normalmente as crianças são curiosas e gostam de novidades. Num dia eu disse ao grupo que as pessoas daquela vila estavam tão longe de Deus por tantos anos que já não acreditavam no “amor sem interesses” que cristo nos ensinou. Durante a semana tivemos apenas 8 crianças. Mesmo assim, a cada dia, pudemos ver e testemunhar o quanto o Amor de Cristo as impactou. E no último dia muitas choravam dizendo para ficarmos e morarmos lá. Nestes dias trabalhamos os temas da Criação; Noé e a arca; Abraão e os patriarcas; Moises e o êxodo e a parábola do filho pródigo em Lc 15. 11-32. Auxilado estes temas a cada dia assistimos filmes, ampliamos os horizontes das crianças através da internet e muitos jogos. No último dia brincamos de casa ao tesouro, onde as crianças teriam que trabalhar em equipe respondendo questões bíblicas sobre os temas da semana. Em que a cada etapa eles recebiam uma nova pista até chegarem a “sala do tesouro” com presentes, doces e uma palavra de que Jesus é o melhor presente para as nossas vidas.

Entre os adultos a receptividade foi ainda mais fria. Na primeira noite apenas duas moças apareceram. Na segundo 5 vieram (!!) Nós ficamos animados, mas no restante da semana não tivemos mais estudos bíblicos, pois ninguém apareceu. É difícil entender o que aconteceu. Talvez as pessoas não vieram mais devido as alemães ficarem muito doentes com enjoos e diarréria. Todos nós achamos que foi devido a água. E neste dias a Katya teve que desenpenhar o papel de enfermeiras para as alemães. Depois de 2 dias eles estavam melhores.

Na verdade não sei como terminar esta carta. Vem um sentimento de derrota. A verdade é que iremos continuar o trabalho lá. Vocês podem orar por este desafio. Intercedam para que as crianças que nos ouviram sejam testemunho de um Deus vivo, que não abandona as pessoas, mas vai ao encontro delas através de Jesus. Orem também para os trabalhos na Casa Diaconal (crianças e líderes); Pelo meu namoro com a Kátya, que foi uma heroina nos trabalhos nesta vila e pelos meus passos aqui na Ucrânia. Em tudo queremos louvar a Deus e engrandecermos o seu nome.

Um grande abraço.

André Mattos