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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Noticias do Campo






“Ao ver as multidões teve compaixão delas, pois estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor”.
Mt 9. 36

Queridos amigos e irmãos, que o versículo acima nos dê ânimo e discernimento para vermos além dos horizontes humanos, seguindo o exemplo de Cristo. Dê uma olhada na foto ao lado. Ela é de uma casa que foi abandonada por seus moradores. Eles a abandonaram para tentar uma vida nova na cidade. De 20 casas nesta rua, 9 foram abandonadas! Provavelmente esta foto ficará marcada em minha memória por muitos anos. Pois mesmo na missão é fácil nos acomodarmos em nosso dia a dia e não mais vislumbrarmos os horizontes missionários de Deus. Mas Deus sempre nos chama a irmos ao encontro das “ovelhas desgarradas”.

Entre os dias 22 a 28 de outubro a Kátya e eu, mais duas voluntárias da Alemanha e um rapaz do grupo de jovens de Odessa, estivemos em Kudriávka, uma vila distante. Fomos enviados para trabalharmos com as crianças durante o dia e dar estudos bíblicos à noite para os adultos. O problema desta vila é que ela está morrendo! Morrendo pela apatia e desesperança das pessoas que lá vivem. O pr. Andrei da igreja de Odessa, me contou um pouco da situação: Esta vila, como muitas outras, foi construida com dinheiro alemão para dar moradia aos descendentes de alemães que foram exilados por Stálin (presidente da antiga União Soviética) no período da II Guerra Mundial. Estes descendentes de alemães foram enviados para a Sibéria, Kazaquistão ou Uzbequistão e tratados como inimigos nos tempos de guerra. Mas com a queda do regime soviético há vinte anos atrás, estas famílias começaram voltar a viver na Ucrânia. Mas suas antigas casas foram ocupadas por outras famílias, então o governo alemão propôs ao governo ucraniano construir “vilas alemães” para estes exilados. Há alguns anos atrás foi sedida à Igreja Luterana uma casa para que fossem realizados os cultos. Pois não há nenhuma igreja, nem mesmo a Católica Ortodoxa nesta vila.

Quando nosso grupo chegou recebemos a notícia que naquela semana dois jovens morreram num incêndio em uma das casas. Eles estavam tão alcolizados, que não conseguiram acordar com o calor das chamas. É comum naquela vila pessoas acordarem por volta das 11:00 horas damanhã depois do “porre”. Apesar do solo ser o mais fértil do mundo! Onde tudo que se planta cresce bem sem necessidade de adubo. Após o culto, pr. Andrei foi ao cemitério da vila para dar algumas palavras de conforto às famílias, mas ninguém apareceu(!?) Despois disto o pr. Andrei retornou para odessa e ficamos planejando como trabalharíamos durante aquela semana.

Na manhã de segunda-feira dia 24 de outubro começamos os trabalhos com algumas crianças que aceitaram nosso convite. Apesar de ter sido avisado na escola que esteriamos lá naquela semana de feriadão, tivemos que “caçar”as crianças. Uma situação estranha, pois normalmente as crianças são curiosas e gostam de novidades. Num dia eu disse ao grupo que as pessoas daquela vila estavam tão longe de Deus por tantos anos que já não acreditavam no “amor sem interesses” que cristo nos ensinou. Durante a semana tivemos apenas 8 crianças. Mesmo assim, a cada dia, pudemos ver e testemunhar o quanto o Amor de Cristo as impactou. E no último dia muitas choravam dizendo para ficarmos e morarmos lá. Nestes dias trabalhamos os temas da Criação; Noé e a arca; Abraão e os patriarcas; Moises e o êxodo e a parábola do filho pródigo em Lc 15. 11-32. Auxilado estes temas a cada dia assistimos filmes, ampliamos os horizontes das crianças através da internet e muitos jogos. No último dia brincamos de casa ao tesouro, onde as crianças teriam que trabalhar em equipe respondendo questões bíblicas sobre os temas da semana. Em que a cada etapa eles recebiam uma nova pista até chegarem a “sala do tesouro” com presentes, doces e uma palavra de que Jesus é o melhor presente para as nossas vidas.

Entre os adultos a receptividade foi ainda mais fria. Na primeira noite apenas duas moças apareceram. Na segundo 5 vieram (!!) Nós ficamos animados, mas no restante da semana não tivemos mais estudos bíblicos, pois ninguém apareceu. É difícil entender o que aconteceu. Talvez as pessoas não vieram mais devido as alemães ficarem muito doentes com enjoos e diarréria. Todos nós achamos que foi devido a água. E neste dias a Katya teve que desenpenhar o papel de enfermeiras para as alemães. Depois de 2 dias eles estavam melhores.

Na verdade não sei como terminar esta carta. Vem um sentimento de derrota. A verdade é que iremos continuar o trabalho lá. Vocês podem orar por este desafio. Intercedam para que as crianças que nos ouviram sejam testemunho de um Deus vivo, que não abandona as pessoas, mas vai ao encontro delas através de Jesus. Orem também para os trabalhos na Casa Diaconal (crianças e líderes); Pelo meu namoro com a Kátya, que foi uma heroina nos trabalhos nesta vila e pelos meus passos aqui na Ucrânia. Em tudo queremos louvar a Deus e engrandecermos o seu nome.

Um grande abraço.

André Mattos

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